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Relação entre o homem contemporâneo e o meio ambiente

Relação entre o homem contemporâneo e o meio ambiente

Desde os primórdios, o homem sempre manteve-se próximo à natureza, pois ela era o meio principal de obtenção dos recursos necessários para sua sobrevivência. Análogo ao seu passado,  as sociedades contemporâneas ainda possuem um alto grau de dependência do ambiente a sua volta. Entretanto, imersas em uma busca insaciável por um desenvolvimento econômico que cada vez mais estimula o consumismo, até que ponto essa relação permanecerá suportável?

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Proximidade com a natureza que você quer, @?

A partir da primeira Revolução Industrial, iniciada no século XVIII e liderada pela Inglaterra, a busca por recursos naturais foi intensificada, principalmente pela necessidade de uma fonte energética e de matéria prima para as indústrias. Além disso, houve a transição da manufatura para maquinofatura, fator que tornou a produção têxtil mais eficiente e deu início a um novo modelo social e econômico denominado Capitalismo Industrial. Posteriormente, esta  organização desencadeou novas revoluções, com sistemas de produção cada vez mais eficientes e estímulos cada vez maiores ao consumo, sem levar em conta os danos que esse sistema causaria ao meio ambiente.

E às pessoas, né?

Neste contexto, diversos cientistas buscaram explicar a interação do homem contemporâneo com o ambiente, porém quando relacionado ao desenvolvimento econômico, era de grande aceitação que este deveria prevalecer como prioridade. Dessa forma, após a segunda Guerra Mundial, houve um estímulo ainda maior para industrialização dos países desenvolvidos e um intenso processo de industrialização daqueles que ainda estavam em desenvolvimento.

DINHEIRO!!!!!!!!!

Esses fatores agravaram cada vez mais os impactos que a rápida industrialização gerava na natureza tornando a temática ambiental um fator essencial para continuidade do desenvolvimento. Assim, através de uma conferência organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, também denominada Conferência de Estocolmo, ocorreu em 1972 com líderes dos principais países para discutir a problemática ambiental e a relação do uso de recursos naturais atrelado ao crescimento econômico. A despeito de não ter concretizado metas para um futuro próximo, a Conferência de Estocolmo desencadeou outras conferências e tratados ambientais, além de incentivar a criação de órgãos governamentais responsáveis pela gestão do setor ambiental.

Aí sim galera

Relacionado a estes tratados, em 1987 é publicado o Relatório de Brundtland, intitulado Nosso Futuro Comum. Neste documento estão os embasamentos dos conceitos de desenvolvimento sustentável, este possui como tripé para o desenvolvimento econômico a Eficiência Econômica, a Ecologia e a Equidade, que desde a década de 70 passam a ser difundidos e definidos como prioridade para o futuro, em outras palavras, o crescimento econômico não está apenas associado a proteção ambiental, mas também considera as fortes assimetrias internacionais, quando visto de uma perspectiva global, assim associando as esferas econômica, ambiental e social.

“as ações presentes não devem comprometer as capacidades das gerações futuras de satisfazer suas necessidades, com base em que o valor total dos bens disponíveis, tanto os produzidos pelo homem como aqueles encontrados na natureza devem permanecer constantes de uma geração para outra.”

 

Economia Ambiental

Em meados dos anos 60, quando a questão ambiental começa a ganhar espaço nas pautas políticas dos países desenvolvidos, temos a economia neoclássica que entra em cena no fim do século XIX, esta defende que não existe um valor inerente aos bens, mas que o valor encontra-se na relação entre o objeto e a pessoa que irá obter o objeto, portanto, o valor é subjetivo, inclusive o valor atribuído ao emprego da força de trabalho, diferente da economia clássica que entendia que o valor dos bens dependia dos custos envolvidos na produção e que o produto da economia seria distribuído entre os diversos grupos sociais na proporção em que estes suportassem tais custos.

 

Certo, mas o que a Economia Neoclássica tem a ver com Economia Ambiental?

Basicamente, a Economia Ambiental tem como essência a Economia Neoclássica, pois relaciona os problemas ambientais com as pessoas através de  “externalidades” (estas são falhas de mercado, que consiste nos efeitos, negativos ou positivos, gerados no consumo ou produção de um bem, a outros consumidores ou empresas, estes são compensados de forma efetiva pelo mercado via sistema de preços), sendo assim, a economia ambiental neoclássica utiliza o termo externalidade para a degradação ambiental causada durante o processo produtivo e a partir disso, busca internalizar essas externalidades.

 

De que formas?

Medidas compensatórias (sem compensações via mecanismos de mercado) são uma forma de internalizar, mitigando os efeitos adversos ocorridos no meio ambiente. Pode-se dizer que para essa corrente, não há limites para o progresso científico/tecnológico aumentar a eficiência no uso de recursos naturais (eficiência ecológica), além disso, consideram que capital, trabalho e recursos naturais são perfeitamente substituíveis entre si.

 

Mas entramos em um outro questionamento, numa economia de livre mercado, como nenhum ator pode ter domínio sobre os recursos naturais, o meio ambiente se torna um bem sem preço, não cabendo compensação devido a sua degradação, então como se pode ter a colaboração do agente causador do dano que não tem motivação econômica para mitigar o dano que causou?

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A solução encontrada está no processo de intervenção governamental, no processo de institucionalização ambiental, de forma a criar mecanismos de valoração dos impactos ambientais, a fim de serem compensados. Os profissionais da economia ambiental desenvolvem informações teóricas e modelos práticos a partir da possibilidade de escassez. Dessa forma, são estimados valores para criar indicadores de prioridade, que servem como base para outras especialidades. Os valores são estimados da seguinte forma:

 

Olhando assim, parece ser uma ótima opção, certo?

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Em partes, sim, mas existem algumas críticas à abordagem neoclássica, podemos começar falando da complexidade e incerteza, devido ao conhecimento científico parcial, a irreversibilidade, pois o foco é sempre a compensação de externalidades e não a preservação em si e é claro, também temos a questão da valoração ambiental, onde a impossibilidade de determinação precisa dos custos ambientais dificulta a implementação do princípio Poluidor-Pagador. Além disso, por pensarem que capital, trabalho e recursos naturais são substituíveis entre si, acabam por considerar que a emissão de resíduos tenderia a zero com o aumento indefinido da eficiência no uso de recursos naturais, fazendo com que o processo de crescimento econômico se “descase” (decoupling) da base de recursos naturais. Isso se deve ao fato de que eles não levam em consideração a lei da entropia.

 

Ai Deus, vocês vão falar de física agora?

Sim, mas só um pouquinho! A primeira lei da termodinâmica trata da conservação de energia, diz que, quando se trata de matéria ou energia, nada se cria, nem se destrói e sim, se transforma. A partir disso, temos a segunda lei da termodinâmica que trata do calor, que pode realizar trabalho sob certas circunstâncias, porém não é possível transforma-lo em outras formas de energia que gerem trabalho com 100% de eficiência. Logo, toda vez que uma transferência de energia ocorre, uma parcela dessa energia é dissipada na forma de calor. Então podemos pensar que o calor que não realiza trabalho aumenta a aleatoriedade (desordem) do sistema, simplesmente porque ela é estatisticamente mais provável que o sistema ordenado. Este grau de aleatoriedade de um sistema é chamado de Entropia. Sendo assim, podemos dizer que a segunda lei da termodinâmica consiste na ideia de que  toda transferência de energia aumentará a entropia do universo e reduzirá a quantidade de energia utilizável disponível para realizar trabalho.

 

Tá, agora me explica, o que tudo isso tem a ver com o que estávamos falando?

Entropicamente falando, se sempre parte da energia é dissipada em forma de calor, o custo de qualquer atividade econômica é sempre superior ao do seu produto. Por isso, produzir, mesmo que de forma ecoeficiente, acelera o déficit entrópico global, pois toda cadeia de produção gera uma dissipação de calor que influencia o meio ambiente e aumenta a desordem.

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